segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pesa-dedo




Estávamos todos na vila quando, por volta de oito homens, nos abordaram levando todos nossos pertences. Atrasando a nossa entrada para o medo e desespero. Logo em frente à casa, barro e pessoas, alguns amigos que não me faço lembrança, não é fácil tantos ao meio do barro. Na cara a expressão de arrependimento por ainda estar ali e na cabeça o telefonema de minha mãe não parava de tocar, talvez seja o coração, dela, sentindo um mal estar por minhas tentativas de esconder o que ainda me restava. Me diziam pra entregar tudo e calmamente levei meu braço direito até um dos rapazes:
_ Olha, é ouro! Em um foco de luz brilhou minhas pulseiras.
Não era só um assalto, lembro de ter um pressentimento antes do ocorrido, preocupada em ter que morar ali, brincando no dia do enterro, vivendo do jeito, que eu também queria, mas não aquela noite... Saíram de forma estranha, parecia que iam voltar, e quando volta, você não sabe se fingi de morta, enfim, fingi e logo dei conta que era besteira, me levantei na força que ali fiquei, sentada, de frente com meus dois amigos e duas armas a nossa esquerda, da direita, não me restava nem o adormecimento.
Faziam-nos de refém sabe lá por qual motivo, às vezes por motivo besta, às vezes se sentiram bem na situação que se encontravam olhando de cima para baixo, tudo bem, todos nós, às vezes é pra mostrar quem manda aqui, mas aquela noite não... nosso quintal, se tinha cachorro, não sei, os barracos ao lado, lamentei, que lamentaram de nós.
Mais lamentei o gesto dele se mexer, com o intuito de querer mudar o jogo colocando pedras em seu bolso, e de tamanha observação, o lenço de alguém atrás caiu da mão, parecia alguém atrás de mim autorizando, ou não.
Dispararam primeiro nele em todo lugar do corpo, em seguida ela tentando já engolir o sangue e eu, olhei nos olhos do assassino até a arma tampar minha visão, com alguma esperança(?) abaixei os olhos na direção dos olhos de quem me via e um tiro se fez no meio da testa, não doeu, juro que não doeu, me senti aliviada quando olhei e a mão ela ofereceu: (pensei comigo) _ Olha, isso é ouro!

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