domingo, 13 de maio de 2007

Não tem atalho


Arrastado o tempo passa
E de tanta dor, me guardo
Vivendo de enganos
E certezas, ignorando

Dos enganos, dos medos
Do medo que ainda te amo

Deixo que o tempo passe
Vou de passo em passo
Mas não muda o retrato
Que não olho, apenas disfarço

E também do meu orgulho, não largo
Do meu bolso, eu pago
Que no fundo do agudo
Não tem atalho

Não tem atalho

Pra ver de perto seu sorriso
Que hoje, é visto
Por ninguém mais que alguém
Que não seja ninguém

Desacredito

Mas também acredito
Que de Deus, mais uma prova
O primeiro que acertar a prosa
Dando a nota, o dia e a hora

Que eu vou te ter de volta.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Ler, ver,
e entre o V e o L
entrever aquele
R
erre
que me (rêve) revele
as coisas
não começam
com um conto
nem acabam
com um .
pedaço de prazer
perdido
num canto do quarto escuro
inferno paraíso
vivo ou morto
te procuro
TEXTOS TEXTOS TEXTOS
malditas placas fenícias
cobertas de riscos rabiscos
como me deixastes os olhos piscos
a mente torta de malícias
ciscos.
NUNCA COMETO O ERRO
DUAS VEZES
JÁ COMETO DUAS TRÊS
QUATRO CINCO SEIS
ATÉ ESSE ERRO APRENDER
QUE SÓ O ERRO TEM VEZ
andar e pensar um pouco,
que só sei pensar andando.
três passos, e minhas pernas
já estão pensando.

aonde vão dar estes passos?
acima, abaixo?
além? ou acaso
se desfazem ao mínimo vento
sem deixar nenhum traço?

você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo

nem fale em amor
que amor é isto.
alguém parado

é sempre suspeito

de trazer como eu trago

um susto preso no peito,

um prazo, um prazer, um estrago,

um de qualquer jeito,

sujeito a ser tragado

pelo primeiro que passar

parar dá azar.
pouco rimo tanto com faz.
rimo logo ando com quando,
mirando menos com mais.
rimo, rimas, miras, rimos,
como se todos rimássemos,
como se todos nós ríssemos,
se amar (rimar) fosse fácil.
vez como aquela
só mesmo a primeira
mal cheguei a chorar
uma lágrima inteira

largue uma lágrima
o primeiro que viu
o luar de janeiro
é primeiro de abril
atrasos do acaso
cuidados
que nao quero mais

o que era pra vir
veio tarde
e essa tarde nao sabe
do que o acaso é capaz
sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos a fora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
condenado a ser exato,
quem dera poder ser vago,
fogo fátuo sobre o lago,
ludibriando igualmente
quem voa, que nada, quem mente,
mosquito, sapo, serpente.

condenado a ser exato
por um tempo escasso,
um tempo sem tempo
como se fosse o espaço,
exato me surpreendo,
losango, metro, compasso,
o que não quero, querendo.
quem há de dizer das linhas
que as ondas armem e nao armem?
quem hé de dizer das flâmulas,
lágrimas acesas, tantas lâmpadas,
milagres, passando rápidas?
diga você, já que se sabe
que nem tudo na água é margem,
nem tudo é motivo de escândalo,
nem tudo me diz eu te amo,
nem tudo na terra é miragem.

signos, sonhos, sombras, imagens,
ninguém vai nunca saber
quantas mensagens nos trazem.

lá vai um homem sozinho

o que ele pensa da noite

eu nao sei

apenas adivinho

pensa o que pensa
todo mundo indo

um dia
eu já tive um vizinho.
de uma noite, vim.
para uma noite, vamos,
uma rosa de Guimarães
nos ramos de Graciliano.

Finnegans Wake à direita,
un coup de dés à esquerda,
que coisa pode ser feita
que não seja pura perda?
esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer

esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir

esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir

que pode ser aquilo,
lonjura, no azul, tranquila?

se nuvem, por que pendura?
montanha,
como vacila?
e ver-te
verde vênus
doendo
no beiracéu
é ver-nos
em puro sonho
onde
ver-te, vida,
é alto ver
através de um véu
a quem me queima
e, queimando, reina,
valha esta teima.
um dia, melhor me queira.
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando o vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto.